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Cinema Brasileiro versus Pessimismo

Por Betânia Soares

 

“O cinema brasileiro morreu”. No dia 21/agosto, essa frase de Ivan Cardoso, cineasta, diretor, produtor e ator ecoou pelo espaço Territorio Livre, Espaço Volkswagen, na Bienal Internacional do Livro, em São Paulo, SP, e bateu de frente com Laís Bodanzky, também cineasta. A palestra “Na tela do cinema: a paixão pela luz” reuniu vários proficionais da area para que pudessem contar suas experiências e responder a perguntas dos espectadores a respeito de cinema. No entanto, o que se viu foram dois lados de uma mesma realidade do cinema nacional, cada qual defendendo seu ponto de vista.

Ivan Cardoso dirigiu seu primeiro longa-metragem em 1982, "O Segredo da Múmia", que lhe rendeu 20 prêmios, inclusive o de melhor filme no Festival de Cinema Fantástico de Madri

Ivan Cardoso é o criador do gênero “terrir” – uma mistura de terror e comedia – e teve seus trabalhos reconhecidos dentro e fora do Brasil. Porém, é um pessimista (ou realista, nas palavras dele) no que se refere ao cinema nacional. Para ele, o cinema daqui está engessado e precarizado, copiando a televisão, em particular a Rede Globo. Isso se deve ao fato de não existir no Brasil grandes produtoras que financiem o trabalho nacional e permita que ele trace seu próprio caminho e crie um estilo particular. “Ou a produção é da Globo, ou o cineasta tem sua própria produtora, ou o artista tem que produzir o próprio filme”, disse o roteirista Newton Cannito, também presente na palestra. Segundo Newton, o modelo Global limita a arte e impede o surgimento de coisas novas, e a indústria cinematográfica do Brasil não busca novos artistas com ideias igualmente inéditas.

Lais Bodanzky é mais otimista. Segundo ela, a memória artística é muito importante para se entender e imprimir a identidade de um país, e o cinema nacional tem cada vez mais se qualificado e revelado uma nova capacidade artísca dos brasileiros. Foi o que aconteceu com o filme “Cidade dos Homens” (2002), de Fernando Meirelles. O filme causou grando movimentação internacional e revelou a capacidade de Fernando como diretor, crinado um gênero cinematográfico copiado pela televisão. Depois disso, Meirelles também dirigiu “Ensaio sobre a Cegueira” (2008), filme que abriu o Festival de Cannes.

Artistas como Fernando Meirelles, Alice Braga (que fez parte do elenco de Ensaio sobre a Cegueira), e Rodrigo Santoro (protagonista de Bicho de Sete Cabeças), estão revelando o Cinema Brasileiro internacionalmente, e criado um modelo respeitado lá fora. É no que também acredita Ricardo Calil, crítico de cinema e mediador dessa palestra que virou debate, dizendo que os brasileiros estão criando uma identidade no que se refere ao cinema e que todo tipo de filme deve ser feito.

Lais é formada em cinema pela FAAP, em São Paulo, e teve grande repercussão como diretora do filme "Bicho de sete cabeças" (2001), com roteiro de Luiz Bolognezi, marido de Lais e que também estava presente na Bienal.

Em detrimento do modelo Globalizado, conta-se hoje com novas formas de filmegem e divulgação, como câmeras de celulares e o YouTube, abrindo espaço para novos talentos e trabalhos inovadores. “O cinema não vai acabar porque o ser humano tem a necessidade de ouvir e contar histórias. E este contar histórias está cada vez mais áudio-visual, características mais marcantes do cinema”, respondeu Lais quando questionada a respeito do cinema, em particular o brasileiro. 

 

Veja o trailer de “Bicho de Sete Cabeças”

 

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