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Burton antes de Alice

O diretor americano Tim Burton

Por Yumi Miyake

Se você leitor, só ouviu falar de Tim Burton por conta da estreia mais do que esperada de Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland), essa é uma boa oportunidade para conhecer as obras anteriores desse diretor americano, um tanto quanto excêntricas.

O primeiro filme de Tim que o destacou foi Os Fantasmas se Divertem (Beetlejuice), um comédia/terror de 1988, já com a parceria na trilha sonora feita por Danny Elfman, que o acompanharia nos seus principais sucessos dali em diante. A história é sobre um casal que acaba de morrer e contrata o exorcista Beetlejuice (Michael Keaton) para expulsar os novos proprietários da casa do casal, na Inglaterra. Burton gosta de trabalhar com essa inversão, onde os excluídos e desajustados são os principais personagens, os heróis de suas histórias, o lado negro que existe em cada um de nós.

Beetlejuice fez tanto sucesso na época que o transformaram em desenho animado

Depois de ter  dirigido Beetlejuice, Burton foi chamado para dirigir a super-produção Batman (1989), mas foi com Edward Mãos de Tesoura (Edward Scissorhands) de 1990, seu projeto pessoal, que o diretor se consagrou no mundo cinematográfico. O filme conta a história de Edward, um jovem criado por um inventor de uma pequena cidade americana. Só que no dia em que receberia suas mãos de presente, seu criador morre, o deixando sozinho na casa no alto da colina. A solidão de Edward só passa quando ele conhece Peg, uma vendedora de produtos Avon, que o levará para seu mundo, um bairro em tons pasteis e com pessoas  que não entendem a sua inocência. Para esse filme, Tim Burton chamou para o papel principal ninguém menos que Johnny Depp, nas primeiras de muitas outras parcerias de sucesso.

Depp na pele de Edward, em 1990

Burton também habita o mundo das animações: ele estudou animação e trabalhava na Disney, como aprendiz. Lá criou as ilustrações que serviriam de base para a animação em stop motion (técnica de animação fotograma a fotograma) em O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas), de 1993, contando a história de Jack, um esqueleto que vive na cidade de Halloween. Cansado de organizar o Halloween todos os anos, Jack por acaso encontra na magia do natal uma forma de transformar seu mundo sombrio, fazendo com que os habitantes de sua cidade se empenhem em realizar um Natal digno, com direito até a papai Noel. Só que o papai Noel é sequestrado,  e isso causa transtornos tanto no mundo real como no mundo do Halloween.

Ainda no mundo do stop motion, Burton produziu A Noiva Cadáver (Corpse Bride) em 2005, baseado em um conto russo-judáico do século XIX e ambientado na era vitoriana. Victor (dublado por Depp) se casará com Victoria ( Emily Watson), porém após uma noite treinando seus votos de casamento, acaba acidentalmente se casando com Emily, uma noiva já morta, dublado por Helena Bonham Carter, mulher de Tim. Victor é levado para o mundo dos mortos, estranhamente muito mais colorido e divertido em relação ao mundo dos vivos, e acaba ajudando Emily a entender a causa de sua morte.

Também em 2005, Burton dirigiu a refilmagem de A Fantástica Fábrica de Chocolate (Charlie and the Chocolate Factory), mais uma vez repetindo a parceria com Johnny Depp no papel do esquisitão Willy Wonka, dono da fábrica que decide abrir suas portas para uma promoção, levando crianças para conhecer essa fábrica e se deliciar (e se perder) em meio a tantas gostosuras.

Uma das poucas vezes que não trabalhou com Johnny Depp foi em Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas (Big Fish), em 2003. Ewan McGregor é Ed Bloom quando jovem, um grande contador de histórias. Ed sai do Alabama para dar a volta ao mundo. Já velho, continua contando suas histórias, mas o único que não se fascina é seu filho: os dois tem uma relação distante.

O último filme dirigido por Burton é Sweeney Todd: O barbeiro demoníaco da Rua Fleet ( Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street), de 2007. É um suspense musical (Adaptado de um musical da Broadway), contando a história de um barbeiro que perde sua mulher e filha para o juiz que faz acusações falsas para cima do barbeiro e o exila. O Barbeiro volta como Sweeney Todd, agora com sede de vingança, ao lado da cozinheira vivida por Helena Bonham Carter.  Indicado ao Oscar em 2008, levou o de Direção de arte.

Burton adora trabalhar com parcerias que dão certo e nunca o deixam na mão, como com Depp e Helena e sempre com a trilha sonora de Danny Elfman dando um toque a mais. O diretor consegue equilibrar seu humor ácido e negro com um mundo ainda cheio de esperanças, que ele transforma com sua linguagem visual única que só vemos em seus filmes. Não a toa, Alice é um dos filmes mais esperados do ano: todos querem saber o que o cineasta produziu ao se basear na história mais famosa de Lewis Carroll.

O trailer de Alice, que teve sua estreia nos EUA em março mas só chega as telas 3D brasileiras semana que vem:

Depp e Burton: parceria que dá certo

Tim Burton também é autor do livro O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra e outras histórias, de 2007. O livro contém poemas e ilustrações feitas pelo próprio Tim

E para quem reside nos Estados Unidos, a dica é passar na exposição do MoMA (Museu de arte moderna de Nova York)  com 700 objetos entre as 10 mil peças do arquivo pessoal de Tim, entre eles maquetes, pinturas, desenhos, storyboards e bonecos. O público poderá encontrar as mãos de tesoura de Edward e o terno do Coringa que Jack Nickolson usou. Além dos objetos, há também 17 instalações multimídia recordando os 27 anos de carreira do cineasta. Algumas das obras nunca foram publicadas em lugar algum.

A exposição começou em novembro do ano passado e vai até abril desse ano.

http://www.moma.org.

11 West 53th Street, New York, EUA

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2 Responses to “Burton antes de Alice”


  1. abril 14, 2010 às 9:14 am

    Bom… o fato de este ser o primeiro post no qual eu falo alguma coisa aqui no nosso blog dispensa qualquer comentário, né? Mesmo assim, preciso dizer mais que isso. Burton é simplesmente demais, sem falar em Depp. Para este sim não há palavras. Meu primeiro contato com Johnny Depp e Tim Burton foi em “Edward mãos de tesoura”. Assistia a esse filme todas as vezes que passava. Ele, ao tempo que me encantava, me causava certo medo também. É esse talento particular de Burton de transformar histórias para crianças em histórias fantasmagóricas. Se eu precisasse apontar um diretor preferido, seria ele. Nåo pelas histórias, mas por essa personalidade bizarra que ele tem e que transmite aos seus filmes. Em “Fantástica Fábrica de Chocolate”, por exemplo, eu fiquei esperando a hora em que Johnny Depp acrescentaria uma gotinha de sangue `a receita. Quanto ao filme Alice, estou prendendo a respiração desde que vi o cartaz em Vancouver, em Janeiro. Espero só que não frustre minhas expectativas. Beijos! by Betânia Soares


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