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cegueira transmitida nas telas do cinema

Por Sara Rissato


A partir de uma adaptação fiel do livro “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago, o filme, de mesmo nome, dirigido por Fernando Meireles explora a degradação do homem e de seu meio a partir da perda de um de seus sentidos.  Com a perda da visão pessoas ficam em “quarentena”, em um lugar sub-humano, sem condições assépticas, água suja, pouca comida e sem atenção por parte do governo. Uma cegueira branca contagiosa, um mar branco leitoso que desemboca dentro de um manicômio abandonado. A película foi totalmente gravada em São Paulo, tendo sua base na Fundação Armando Álvaro Penteado (FAAP).

A mensagem é a seguinte: A morte faz com que nos desliguemos definitivamente do mundo, já a cegueira nos desconecta da sociedade contemporânea, ficamos fora do sistema das imagens. O pânico não se dá no não ver, mas sim no não viver as normas sociais as quais estamos acostumados, isto é, não partilhar mais da realidade transmitida pelas imagens. Por isso que as pessoas que foram eleitas por nós que deveriam “cuidar e proteger”, condenam os contaminados da cegueira branca à morte, através da autodestruição.

Os cenários do filme brincam com as noções de foco e planos, enfatizando as expressões apáticas e algumas vezes desesperadas das personagens. Iluminações jogam com o contraste de “claro estourado” e escuro acinzentado. O primeiro nos transmite agonia ao longo do filme e o segundo nos dá a impressão de uma rotina indiferente. Uma vida literalmente branca, uma cegueira que é o resultado de imagens sobrepostas, por isso é branca e não negra,  aonde todas as cores das imagens se escondem atrás de uma que não nos faz enxergar absolutamente nada. Dentre muitas cenas, uma em especial: um estouro de luz é colocado na figura da protagonista, contrastando com as outras personagens que são, comparados a ela, escuros, mostrando que as imagens se fundiram na figura da única personagem, interpretada pela atriz Julianne Moore, que ainda consegue ver.

A imagem, no filme, é a ferramenta principal de expressão e comunicação, por isso sempre irá carregar uma mensagem para o outro. Assim o enredo utiliza-se de poucas falas e abundancia das imagens.  A sonoplastia é construída num ritmo crescente de aceleração, deixando o espectador tenso e angustiado. A Trilha sonora é constituída somente por instrumentais, pois as músicas sem letra deslocam a força da razão, deixando a emoção fluir no nosso inconsciente. Assim ao se encontrarem com as imagens há um encaixe perfeito.

Confira o trailer do filme abaixo:

Para baixar o livro de José Saramago – “Ensaio sobre a cegueira” em pdf acesse:

http://www.mandamais.com.br/download/6kyf61020081311

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