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A guerra nua e crua, fora do front

Por Yumi Miyake

Guerra ao Terror ( The Hurt Locker)

Aqui no Brasil, Guerra ao Terror poderia muito bem passar despercebido numa loja ou locadora. Isso porque a produtora Imagem Filmes o lançou direto em DVD em abril de 2009. Só que o filme começou a ganhar notoriedade, e junto com isso, a possibilidade de ser indicado em várias categorias ao Oscar desse ano, sendo um forte concorrente do queridinho Avatar.  Perceberam então o potencial do filme e dez meses depois de ser lançado em DVD, chegou as telas das salas de cinema do Brasil.

O filme nasceu de uma série de reportagens escritas pelo jornalista Mark Boal, e é dirigido pela Kathryn Bigelow (Caçadores de emoção, O Peso da Água), ex mulher de James Cameron (diretor de Avatar) custando a bagatela de US$ 11 milhões. O mais interessante é que se comparado a outros filmes de guerra, esse é guerra pura, a guerra como ela é, sem aquele drama carregado e soldados transformados em heróis. Ele já está sendo considerado o primeiro filme a mostrar realmente o que acontece aos jovens soldados americanos, e o que eles passam durante esse tempo em combate. E melhor ainda, é um filme de guerra dirigido por uma mulher.

O filme se passa no Iraque, mas os soldados não atuam no campo de batalha, como se poderia pensar. A missão deles é desarmar bombas, um dos trabalhos mais difíceis e arriscados. 38 dias faltam para terminarem a missão, 38 dias os separam de casa. Depois de uma missão que deu errado, o sargento Thompson (Guy Pierce) é morto. Quem chega para substituí-lo é William James (Jeremy Renner), que tem um jeito bem peculiar de trabalhar, fazendo com que o sargento Sanborn (Anthony Mackie) e o soldado Eldridge (Brian Geraghty)  se acostumem com seu jeitão arriscado de ser, apesar de ser um bom profissional.

Quase documental, Guerra ao Terror é basicamente desarmar bombas na primeira hora de filme, então chega a ser um pouco cansativo, lento demais até. A segunda hora conta com cenas mais fortes e mais violentas, a câmera assume os pontos de vista de James, como se fossem seus olhos. Nossos olhos, afinal. Qual é a nossa visão sobre a guerra? Bigelow quer nos mostrar que a guerra já perdeu seu sentido, porém está longe de acabar. Os soldados não estão mais preocupados em ser heróicos, eles vão para as missões porque não se sentem melhor fazendo outra coisa, já estão viciados na guerra. O sargento James personifica a frase de início de filme, do jornalista americano Chris Hegdes, correspondente de guerra: “War is a drug” (A guerra é uma droga).

Filme de guerra, dirigido por uma mulher, bom roteiro, boa montagem, baixo custo… longe de ser uma briga de marido e mulher, Guerra ao Terror desbancou Avatar levando 6 dos 9 Oscars a qual fora indicado: roteiro original, montagem, som, edição de som, melhor direção (Bigelow foi a quarta mulher a concorrer ao Oscar de direção, sendo a primeira a ganhar) e claro, melhor filme. Prova de que o cinema independente ainda pode desbancar mega produções.

Com atores vindo do cinema independente, repare também na participação do já conhecido e consagrado Ralph Fiennes (Harry Potter, O Jardineiro Fiel, O leitor).

Trailer:

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1 Response to “A guerra nua e crua, fora do front”


  1. março 31, 2010 às 6:17 pm

    muito boa essa matéria!
    ainda não tive a oportunidade de ver esse filme, mas parece ser ótimo, afinal, ganhou o Oscar.


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