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Mistério e suspense, um exercício de estilo de Scorsese

Por Camila Bichuetti

O filme “Ilha do Medo”, dirigido pelo premiado cineasta norte-americano Martin Scorsese, é baseado no livro Shutter Island de Dennis Lehane.

A história se passa em 1954, quando dois agentes americanos Teddy Daniels interpretado por Leonardo DiCaprio e Chuck Aule por Mark Ruffalo, são enviados para uma ilha isolada na costa de Massachusetts. Eles chegam ao local com o objetivo de investigar um desaparecimento misterioso de uma assassina, Rachel Solando (Emily Mortimer), paciente do hospital psiquiátrico criminal: Ashecliffe Hospital. Ninguém parece saber como ela escapou, e o caso se torna complicado se levarmos em conta que se trata de um hospital de segurança máxima. “É como se ela tivesse evaporado pelas paredes” afirma o psiquiatra interpretado por Ben Kingsley. A paciente é considerada perigosa, matou os três filhos, entretanto não aceita essa realidade e por isso ela precisa ser encontrada.

Quanto mais próximo de descobrir a verdade, mais Daniels começa a desconfiar do lugar. Durante o filme uma linha tênue que separa realidade e imaginação muitas vezes se desfaz, gerando certa incerteza do que realmente está acontecendo.

O personagem de DiCaprio vive uma tormenta com enxaquecas e alucinações frequentes devido a traumas recentes como a morte de sua mulher, Dolores Chanal, vivida por Michelle Williams. Ela foi morta em um incêndio criminal, cujo causador, Andrew Laeddis, está preso na mesma ilha. Além disso, a sua participação como combatente na guerra, ainda o faz experienciar terríveis flashbacks do Holocausto.

No decorrer da trama são feitas inúmeras referências à Hitchcock e filmes B de terror, como “Nevoeiro” e “Sob domínio do mal”. As citações não são tão explícitas, e surgem como um homenagem mais camuflada.

Logo no início, percebemos o belo trabalho do diretor de fotografia Robert Richardson. A barca que leva os dois policiais à ilha sai da neblina que os envolve e chega ao cais da remota fortaleza localizada na ilha reforçando a atmosfera de isolamento. Além de Richardson, o bom trabalho do diretor de arte Dante Ferreti colaborou para compor o ambiente que Scorsese pretendia do cenário misterioso do filme. A sensação de que há algo errado na ilha e de que todos estão escondendo algo, são reflexo desse trabalho visual. Este belo trabalho de cinematografia cria um clima de tensão que cresce acompanhado de música pesada. E seguindo essa linha de suspense, a trilha sonora foi muito bem selecionada, com composições de Penderecki, Ligeti, John Cage e Marcel Duchamp.

Alguns críticos alegam que Scorsese parece deixar um pouco de lado o quesito diretor e se deixa levar pelo seu lado fã de cinema, sua paixão pelo gosto de fazer cinema. Mesmo com estes comentários não se pode negar que Scorsese é um grande diretor, responsável por grandes sucessos como “Taxi Driver”.

Outro fator de destaque é sobre a parceria com ator Leonardo DiCaprio muito bem vista pelo diretor. Os dois trabalharam juntos em “Gangues de Nova York”,  “O Aviador” e no seu mais recente sucesso “Os Infiltrados” (The Departed), que lhe rendeu o Oscar em 2007 nas categorias  melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro adaptado e melhor edição.

Pode-se dizer que nos 138 minutos do drama, a avaliação do filme depende do quanto o espectador vai se interessar e se deixar envolver pelo mistério desta história.

Apesar algumas críticas negativas, “Ilha do Medo” teve uma bilheteria ótima não só nos Estados Unidos como no Brasil, logo no primeiro fim de semana de estréia. O filme tem final inesperado e promete deixar muitas pessoas surpresas. Eu recomendo.

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