16
mar
10

Conflitos da juventude

 

Por Camila Bichuetti

Com “As virgens suicidas” (1999) bebemos uma dose de cinema e psiquiatria. O filme de Sofia Coppola foi descrito pelo “The New York Times” como “Hipnótico… sensual”. Tratar da depressão na juventude é um desafio, mas o filme consegue traçar bem o caminho pelo qual se chegou a este ponto.

A atmosfera da década de 70 é reproduzida perfeitamente nas roupas, na música, no cotidiano. E é nesse cenário que acontece a trama. Cinco garotas muito bonitas, filhas do casal Lisbon, religiosos e conservadores, vivem sua adolescência submetidas a padrões de comportamento e sem muito espaço para entender a sexualidade que começa a florescer. O drama é uma adaptação do livro homônimo de Jeffrey Eugenides, 1993.

O filme é narrado por um jovem que conheceu as meninas, alguns anos depois como uma reconstituição do que aconteceu. “Nunca conseguimos entender a sequência dos eventos. Até hoje não entendemos bem o que aconteceu.”

Por esse motivo, ao fim do filme ficamos com a dúvida se foi realmente assim que aconteceu ou é apenas a visão de um garoto tomado por suas próprias reflexões dos fatos.

A caçula das irmãs, Cecília, vive uma garota deprimida de 13 anos.

Psiquiatra: “O que você está fazendo aqui, minha querida? Ainda nem tem idade para reconhecer o mal que a vida pode lhe causar…”

Cecília: “Obviamente, doutor, você nunca foi uma garota de 13 anos.”

Sem se sentir compreendida Cecília suicida-se e a partir daí os fatos se desenrolam. A família enfrenta muitas dificuldades para se recuperar do trauma. A apatia das irmãs ia além da tristeza e do luto. O suicídio da jovem traz um enorme impacto para parentes e amigos.

Uma das irmãs que chama atenção é Lux, interpretada pela brilhante Kirsten Dunst. A atriz incorpora uma adolescente ousada que acaba se envolvendo com Trip Fontaine, o garoto mais popular e cobiçado do colégio. Lux, virgem, se entrega sexualmente a ele no campo de futebol, após uma festa de fim de ano do colégio, mas acaba acordando sozinha.

Os pais de Lux acabam repreendendo a garota por chegar em casa de manhã, sem ter dado explicações. A mãe das garotas, a Sra. Lisbon, resolve puni-las, aprisionando-as em casa e tirando-as da escola. As belas jovens estavam morrendo aos poucos. O seu pai, o Sr. Lisbon, não toma atitudes em relação a isso, ficando cada vez mais alheio ao que acontece na casa. As garotas ficam confusas e anestesiadas. O tédio e apatia que as domina são apenas alguns indícios do que estava por vir. O fim do filme é surpreendente deixando-nos com aquela sensação de perplexidade.

O elenco conta com ótimos atores como Kathleen Turner e James Woods vivendo os pais superprotetores. O belo e charmoso Josh Hartnett como o garanhão da escola, Trip Fontaine. Porém, mesmo com grandes atuações, não se pode negar que o papel de maior destaque é da atriz Kirsten Dunst. Mais do que nunca ela se revela uma camaleoa quando o assunto é interpretar diferentes personalidades. Alguns outros filmes que a atriz se destacou foram: Entrevista com o Vampiro (1994), Homem-Aranha (2002), O sorriso de Mona Lisa (2003), Brilho eterno de uma mente sem lembranças (2004), Maria Antonieta (2006).

Com todo efeito da trilha sonora de Air cria-se o clima melancólico do que pode ser a depressão na juventude.

Recomendo.

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