13
dez
10

Filme de Lee Daniels faz critica delicada e contundente ao racismo e à marginalidade de pobres e obesos nos EUA

Por Betânia Soares

 

Precisa não é o tipo de garota que se enquadraria nos padrões modernos de beleza e de sociabilidade. Uma adolescente negra, obesa, que vive no Harlem, bairro pobre de Nova Iorque, semianalfabeta e que está grávida, aos 16 anos, pela segunda vez. Seu maior problema, porém, está dentro de casa. Clareese Precious Jones (Gabourey Sidibe) vive sozinha com a mãe Mary (Mo’Nique), em um apartamento pequeno que é sustentado pelo auxílio desemprego pago pelo governo. Enquanto Preciosa faz todo o trabalho doméstico, sua mãe a maltrata com agressões físicas e morais. Além disso, sua filha de quatro anos e o bebê que está esperando são frutos do abuso sexual de seu pai Carl (Rodney Jackson).

Por causa da segunda gravidez e seus problemas de alfabetização, a professora Lichtenstein (Nealla Gordon) sugere que Preciosa vá para uma escola alternativa, “Cada um ensina um”, onde a forma de ensino se adequaria melhor as suas dificuldades de aprendizado e permitiria um contato com outras histórias difíceis como a dela. Nessa nova escola, Preciosa conhece Sra. Blu Rain, (Paula Patton), uma professora que ajuda a adolescente a por no papel todos os seus medos, problemas e sonhos antes guardados em segredo e que consumiam sua alegria. Contando sua história, Preciosa tem a chance de superar seus traumas e abrir um novo caminho para uma vida diferente. Outra personagem importante nesse processo é a assistente social Weiss (Mariah Carey).

 Preciosa – uma história de esperança não é só o relato triste de uma menina sem perspectiva. O filme é uma crítica delicada, porém cheia de autoridade, a problemas que existem na sociedade em que vivemos: racismo, desfalque emocional causado por experiências negativas intensas dentro e fora de casa e rejeição. Nesse caso, os problemas estão acontecendo nos Estados Unidos da América, mas adverte o público para problemas camuflados que estão perto de nós.

Por ser negra, obesa, pobre e mãe adolescente, Preciosa é posta a margem das relações sociais. Esse tipo de discriminação não está somente nas telas dos cinemas. Em fevereiro de 2010, nos EUA, um juiz se recusou a realizar o casamento de uma mulher negra com um homem branco. Sua justificativa foi a de estar defendendo os filhos que o casal possivelmente teria. Segundo ele, crianças frutos de relações interraciais sofrem com o preconceito tanto por parte da comunidade negra quanto por parte da branca. No estado de Louisiana, onde o caso aconteceu, está uma das maiores populações de negros dos EUA. Lá, a lei que proibia casamentos entre negros e brancos foi derrubada em 1967.

O filme, dirigido e produzido por Lee Daniels, é baseado no livro “Push” da escritora Sapphire. Filmado com a técnica “câmera na mão”, o espectador tem a sensação de fazer parte de todo esse drama, como se visse a história de dentro. O recurso só não é usado nos momentos em que a personagem principal está sonhando. Os sonhos de Preciosa vêm quando ela está em uma situação emocionalmente intensa. Uma válvula de escape quando é abusada pelo pai, apanha da mãe ou é agredida na rua. Não usar a “câmera na mão” torna esse momento algo particular e íntimo de Preciosa.

Gabourey Sidibe estréia nas telas com o pé direito. O papel em Preciosa – uma história de esperança lhe deu uma indicação ao Oscar de melhor atriz em 2009, concorrendo com grandes nomes como Sandra Bullock e Meryl Streep, e ao Globo de Ouro na categoria “Melhor Atriz em um Filme Dramático”.

 

Veja o trailer:

20
out
10

“Dá um abraço?”

Por  Yumi Miyake

(crítica cultural proposta no curso de Crítica Cultural da Escola São Paulo, com o jornalista do Estado Daniel Piza)

-Se você não viu o documentário e ainda pretende vê-lo, não leia! Esse post não é free de spoilers-

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É segurando essa placa que o consultor de RH Ary Itnem Whitacker sai em plena avenida Paulista oferecendo nada mais que abraços gratuitos, nas primeiras cenas do longa.

A ideia do personagem do documentário “Abraço Corporativo”, Ary, é divulgar o que ele chama de Teoria do Abraço, para combater a “inércia do afastamento” problema atual que as empresas sofrem com seus funcionários e tem como maior causa as novas tecnologias, que torna as pessoas cada vez mais individualistas. Essa teoria foi criada pela entidade “Confraria Britânica do Abraço Corporativo”, da qual Ary é o maior representante no Brasil. Com esse assunto, Ary constantemente cedeu entrevistas para a televisão, impresso e veículos na internet e deu palestras sendo sempre aplaudido.

Nenhum problema em buscar uma aproximação de seus funcionários na cidade caótica, populosa, porém individualista em que vivemos. Mas daí a ceder tanto espaço para esse assunto é o problema questionado. A busca pelo “furo” de reportagem fez com que veículos de informação consagrados cedessem certas informações sem a apuração bem feita. Se, desde que ingressamos à faculdade ou ao mercado de trabalho jornalístico somos constantemente cobrados no que diz respeito à apuração bem feita, jornais, revistas, canais de TV e rádio como Bandeirantes e CBN escorregaram feio: logo se descobre que Ary Itnem não é um consultor de RH, mas o ator e dublador Leonardo Camillo. O ator dá vida ao personagem Ary, que é elaborado, apesar de suas falhas propositais, e passou um bom tempo treinando e incorporando a ideia de ser um… picareta. Quem assistira o desenho animado “Cavaleiros do Zodíaco” quando criança ou assiste a filmes com atuação do ator Nicolas Cage certamente achará a voz de Ary familiar. Essa é uma grande sacada do jornalista e cineasta Ricardo Kauffman: dubladores nos são sempre familiares, porém nunca conhecemos sua aparência. A interpretação de Camillo é convincente, pois nos sentimos atraídos pela sua voz e pelo seu dom de persuasão.

A partir do momento em que o espectador descobre a picaretagem, a trajetória de Ary vai sendo intercalada com depoimentos de jornalistas, professores e estudiosos refletindo sobre o assunto. A maioria dos entrevistados apontou problemas na mídia como espaço público, onde os assuntos são jogados mas não são discutidos, debatidos. Ter esses profissionais no documentário faz com que o documentário de fato se torne um documentário, pois antes a história que girava em torno de Ary era, em parte, fictícia. Os depoimentos dão mais credibilidade ao documentário e à crítica que está sendo construída no filme.

Ary deixava lacunas que certamente chamariam a atenção dos jornalistas, até aos mais desavisados. Por que esse tipo de falha não foi percebida pelos jornalistas? Essa é a grande questão proposta pelo filme.

Foram 5 anos de trabalho da equipe de Ricardo Kauffman para concretizar a obra. O documentário foi exibido pela primeira vez na 33ª mostra Internacional de Cinema de São Paulo, entretanto, como um bom artifício para os dias de hoje, um vídeo em que Ary aparece oferecendo abraços na Paulista já estava sendo divulgado na internet, alcançando a marca de 650 mil views antes da estreia do longa-metragem em circuito comercial (vulgo seções no Cine Belas Artes). Nesse documentário o que vale mais é a ideia em sí e como instiga dúvidas e questionamentos para quem o assiste, pois Ricardo Kauffman não se utiliza de técnicas avançadas de filmagem ou montagem, e nada de muitos recursos sonoros e visuais. A câmera utilizada para a captação das imagens é simples, produzindo imagens muitas vezes até precárias, portanto não espere um documentário super produzido, mas sim bem pensado.

“Abraço Corporativo” levanta 2 questionamentos importantes: como alguém desconhecido, que se diz alguma coisa, consegue conquistar espaço na mídia? E por que a mídia acaba dando espaço a essas pessoas? “Inércia” é a palavra certa. Talvez essa mesma inércia que esteja tomando conta de alguns jornalistas nos últimos tempos. Se a rapidez em divulgar uma notícia se torna mais importante que a notícia em si, o que estariam então noticiando? O que o público quer ver? Hoje o jornalista procura entender todos os lados de um fato, mas não se envolve com ele. Se um jornal de credibilidade deu a notícia, o seu jornal tem que dar também. E se ele deu, é porque a notícia é confiável. Tem certeza? O filme de Kauffman, com cerca de 70 minutos, propõe questionamentos e também nos deixa livres para questionar o próprio fazer jornalístico, ainda em constante mutação, tanto para quem está nesse meio quanto para quem consome a informação.

http://abracocorporativo.com.br/blog/

 

 

19
set
10

Direção de George Clooney faz crítica ao governo Bush

Betânia Soares


George Clooney não é só um belo ator que arranca suspiros quando está nas telas. Se tratando de dramaturgia, sua carreira está firmada no sucesso. Depois de começar atuando na TV, George Clooney foi co-fundador da produtora Section Eight, junto com Steven Soderbergh, trabalhando com grandes produções. Como ator, ele concorreu e foi premiado pelo Oscar, Globo de Ouro, MTV Movie Awards e outros. E não é só atuando que Clooney é premiado. Suas experiências como diretor em dois filmes também foram reveladoras. Seu primeiro trabalho nessa função foi em “Confissões de uma mente perigosa” – Confession of a Dagnerous Mind (2002). Mas o filme “Boa noite, boa sorte” – Good night, good luck (2005) – é uma jóia que abrilhantou sua carreira.


Ambientado nos EUA dos anos 1950, “Boa noite, boa sorte” trata do conflito entre mídia e governo com relação ao momento político do pais diante da ameaça comunista. Edward R. Murrow, interpretado por David Strathairn, é âncora da rede de TV americana CBS e, junto com uma equipe de jornalistas e seu produtor Fred Friendly, vivido pelo próprio George Clooney, denuncia ao público a violação dos direitos civis por parte do governo americano na caça aos supostos comunistas nos EUA, como quando uma funcionária pública é levada a júri sem ter conhecimento das provas que a qualificavam como comunista ou seu acusador.

Nessa empreitada, Murrow se posiciona contra o senador Joseph McCarthy, que passa a acusá-lo na TV de filiação ao comunismo e deslealdade ao governo americano. Diante das acusações de abusos feitas por Murrow e sua equipe da CBS, o senador McCarthy é chamado perante o Senado e destituído de seu cargo. Mesmo que Edward Murrow tenha perdido seu programa, que passou a ser exibido em um horário não tão nobre quanto era, e posteriormente demitido, pois a emissora não queria comprar uma briga tão ferrenha contra o governo, ele foi um marco no jornalismo ousado e a serviço da verdade.


Indicado ao Oscar 2006 como melhor filme, melhor roteiro original, melhor direção de arte, melhor fotografia e melhor ator para David Strathairn, “Boa noite, boa sorte” não é um típico filme comercial de Hollywood. Talvez por isso seja uma oposição à industria cultural vã e vazia que, por diversas vezes, apresenta ao público entretenimento somente, sem conteúdo ou informação. Filmado em preto e branco, a película tem a cara dos filmes feitos no começo do século, com cortes incisivos de cenas e pouca trilha sonora, contextualizando a produção com o momento histórico em que se passam os acontecimentos. Ele também ganhou ares de documentário ao mesclar cenas dos arquivo da CBS do próprio senador Joseph McCarthy e algumas imagens de Edward R. Murrow. Além de David Strathairn e George Clooney, o elenco também conta com Patricia Clarkson, Robert Downey Jr., Jeff Daniels e Frank Langella.


O filme tem grande peso não só por causa das características estéticas adotadas por George Clooney, mas também devido à sua carga histórica, com dialogos intensos e sérios, discutindo a liberdade de expressão, a preservação dos direitos dos cidadãos e o dialogo claro entre governo e povo, passando pela mídia. Tais características fazem do filme de Clooney mais atual do que parece. O mesmo empenho da mídia em denunciar o governo americano da década de 1950 pode ser visto em nossos dias. A produção é uma critica ao governo abusivo de Bush, que abriu fogo contra o Iraque em uma guerra até hoje sem solução, sem que existissem provas claras que justificassem o conflito que criou tensão mundial e, depois de tantos anos, ainda não tem razão para existir. Foi por causa da mídia e através dela que pessoas de todo o mundo puderam ver a guerra começar e suas consequências, como soldados americanos e civis das nações atacadas perderem suas vidas. A mídia hoje, assim como tentava fazer Edward Murrow, dá voz aos que se posicionaram contra o conflito, levando o governo atual de Barack Obama a se movimentar na tentativa, enfim, por fim a uma guerra que se quer deveria ter começado.

George Clooney dirige seu segundo filme, mais um sucesso na carreira, repleto de conteúdo histórico e crítica política

 

Veja o trailer:

02
set
10

Will Smith encolheu?

Por Betânia Soares

Um dia, Will Smith estava à mesa com sua mulher, Jada Pinkett, e se perguntaram: “o que a gente pode fazer pra alanvancar nosso filhão direto pro sucesso? Já sei! Vamos fazer um filme com ele!!!” E aí estreou “Karate kid”, estrelado por Jaden Smith. Falando assim, dá a impressão que nem o filme nem o garoto são grande coisa. Mas isso não é verdade.

Jaden, que já esteve em cena com o pai em “À Procura da Felicidade” (The Pursuit of Happyness,2006), e participou do elenco de “O dia em que a Terra parou” (The Day the Earth Stood Still, 2008), se revelou nesse novo trabalho. Cheio de expressão, o garoto interpretou bem o papel de Dre Parker, e ainda mostrou um lado irônico e sarcástico claramente herdado do paizão, produtor do filme. Até o jeito de andar de Jaden lembra Will Smith. A forma como se emociona, como tira sarro de seus oponentes, ainda que esteja com medo deles. Contudo, o pequeno Smith mostrou que não é simplesmente uma cópia do pai. Ele é intenso e expressivo, pareceu a vontade em cena além de brigar muito bem.

Como em todas as outras versões de Karate Kid, esta quinta conta a história de um jovem que se vê diante de uma mudança muito importante em sua vida, e com essa mudança, precisa tomar grandes decisões que formarão seu carater. A diferença é que, nesse filme, o aprendiz é um pouco mais jovem do que os outros foram e tem problemas mais infantis, porém não menos importantes. A mãe de Dre, interpretada por Taraji Penda Henson, foi transferida de Detroid para a China. E Dre, mesmo contrariado, foi com ela. Na China, o garoto sofre bulling por causa de sua amizade com Mei Ying. É nesse momento que surge na vida de Dre alguém que irá ensiná-lo a se defender, e a fazer isso com honra. Entra em cena Jackie Chan interpretando o mestre de Kong Fu, sr. Han.

Jackie Chan sempre interpretou papéis bonzinhos, caras calmos, bons de briga e hábeis, mas honrados. Nesse filme, ele ainda é bom de briga e ainda tem carater. Porém, é a primeira vez que um personagem seu traz consigo uma carga emocional extremamente forte e pesada, dando intensidade ao personagem. Ele é um homem triste e mal humorado. E Jackie deu cara nova não só aos personagens que faz. O mestre interpretado por ele também está diferente. Ele conta que o diretor Harald Zwart o orientou a não tentar copiar o senhor Miyagi, mestre dos antigos filmes: “Jackie, seja apenas você mesmo. Lembre-se, você não é o Miyagi. Você está fazendo algo completamente novo”, contou Jackie Chan em entrevista à revista Veja.

Cheio de alusões aos antigos filmes, a produção é nostálgica para os fans de Karate Kid. São 140 minutos de ótimas lutas, cenas emocionantes e paisagens incríveis, como a Grande Muralha da China. O make in off do filme também vale muito a pena, com fotos das gravações, Jaden Smith em seus treinamentos e em cena e Will Smith com o filho.

Veja o trailer de Karate Kid:

A música tema de Karate Kid (2010) é de Justin Bieber. Ele e Jaden Smith fizeram um clip juntos e você pode ver aqui

Saiba Mais:

A saga The Karate kid começou em 1984 com Daniel La Russo, ou Daniel San, de Ralph Macchio, e o senhor Miyagi, oumestre Miyagi, de Pat Morita. Eles permaneceram juntos e 1984, 1986 e 1989.

Depois disso, em 1994, uma garota tomou o papel de aprendiz do mr. Miyagi. Ela era Hilary Swank.

02
set
10

Cinefantasy chega a sua 5ª edição!

Por Camila Bichuetti

O Festival Internacional de Cinema Fantástico, conhecido como Cinefantasy, chega a sua 5ª edição. Ele teve início no dia 31 de agosto e exibirá filmes nacionais e internacionais de curta e longa-metragem, entre clássicos e contemporâneos de ficção científica e do horror até o dia 12 de setembro. Ao todo, o evento exibe 37 longas e 117 curtas e inclui homenagens ao cineasta brasileiro José Mojica Marins e ao cineasta colombiano Jairo Pinilla. Além disso, o público pode participar de oficinas, debates e palestras.

O melhor do Cinefantasy é que ele traz desde filmes de cineastas desconhecidos a produções premiadas no circuito paralelo, como “Strigoi”, de Faye Jackson, que foi vencedor do Toronto After Dark na categoria de melhor filme independente e ganhou como melhor diretor no Fantastic Planet Sydney.

E mais: O grego “Evil in time of heroes”, do diretor Yorgos Noussias – exibido nos Festivais Fantásticos do Canadá, Bélgica e na Semana do Terror da Alemanha também fará parte da programação do festival. Mas não para por aí. Você também pode conferir o canadense “Dead Hooker In a Trunk”, das gêmeas Jen e Silvia Soska e muito mais.

Por isso, o destaque vai para a programação internacional que traz produções israelenses, colombianas e gregas, além de relembrar os melhores de 2009.  

Os locais de exibição são o Centro Cultural SP, Galeria Olido e Biblioteca Temática Viriato Corrêa. A entrada é gratuita, exceto no Cine Olido (Inteira: R$ 1 e Meia: R$ 0,50). Você pode encontrar a programação no site abaixo: http://www.cinefantasy.com.br/

Não perca!

23
ago
10

Cinema Brasileiro versus Pessimismo

Por Betânia Soares

 

“O cinema brasileiro morreu”. No dia 21/agosto, essa frase de Ivan Cardoso, cineasta, diretor, produtor e ator ecoou pelo espaço Territorio Livre, Espaço Volkswagen, na Bienal Internacional do Livro, em São Paulo, SP, e bateu de frente com Laís Bodanzky, também cineasta. A palestra “Na tela do cinema: a paixão pela luz” reuniu vários proficionais da area para que pudessem contar suas experiências e responder a perguntas dos espectadores a respeito de cinema. No entanto, o que se viu foram dois lados de uma mesma realidade do cinema nacional, cada qual defendendo seu ponto de vista.

Ivan Cardoso dirigiu seu primeiro longa-metragem em 1982, "O Segredo da Múmia", que lhe rendeu 20 prêmios, inclusive o de melhor filme no Festival de Cinema Fantástico de Madri

Ivan Cardoso é o criador do gênero “terrir” – uma mistura de terror e comedia – e teve seus trabalhos reconhecidos dentro e fora do Brasil. Porém, é um pessimista (ou realista, nas palavras dele) no que se refere ao cinema nacional. Para ele, o cinema daqui está engessado e precarizado, copiando a televisão, em particular a Rede Globo. Isso se deve ao fato de não existir no Brasil grandes produtoras que financiem o trabalho nacional e permita que ele trace seu próprio caminho e crie um estilo particular. “Ou a produção é da Globo, ou o cineasta tem sua própria produtora, ou o artista tem que produzir o próprio filme”, disse o roteirista Newton Cannito, também presente na palestra. Segundo Newton, o modelo Global limita a arte e impede o surgimento de coisas novas, e a indústria cinematográfica do Brasil não busca novos artistas com ideias igualmente inéditas.

Lais Bodanzky é mais otimista. Segundo ela, a memória artística é muito importante para se entender e imprimir a identidade de um país, e o cinema nacional tem cada vez mais se qualificado e revelado uma nova capacidade artísca dos brasileiros. Foi o que aconteceu com o filme “Cidade dos Homens” (2002), de Fernando Meirelles. O filme causou grando movimentação internacional e revelou a capacidade de Fernando como diretor, crinado um gênero cinematográfico copiado pela televisão. Depois disso, Meirelles também dirigiu “Ensaio sobre a Cegueira” (2008), filme que abriu o Festival de Cannes.

Artistas como Fernando Meirelles, Alice Braga (que fez parte do elenco de Ensaio sobre a Cegueira), e Rodrigo Santoro (protagonista de Bicho de Sete Cabeças), estão revelando o Cinema Brasileiro internacionalmente, e criado um modelo respeitado lá fora. É no que também acredita Ricardo Calil, crítico de cinema e mediador dessa palestra que virou debate, dizendo que os brasileiros estão criando uma identidade no que se refere ao cinema e que todo tipo de filme deve ser feito.

Lais é formada em cinema pela FAAP, em São Paulo, e teve grande repercussão como diretora do filme "Bicho de sete cabeças" (2001), com roteiro de Luiz Bolognezi, marido de Lais e que também estava presente na Bienal.

Em detrimento do modelo Globalizado, conta-se hoje com novas formas de filmegem e divulgação, como câmeras de celulares e o YouTube, abrindo espaço para novos talentos e trabalhos inovadores. “O cinema não vai acabar porque o ser humano tem a necessidade de ouvir e contar histórias. E este contar histórias está cada vez mais áudio-visual, características mais marcantes do cinema”, respondeu Lais quando questionada a respeito do cinema, em particular o brasileiro. 

 

Veja o trailer de “Bicho de Sete Cabeças”

 

20
jul
10

Tudo Pode dar Certo

Por Yumi Miyake

No dia 4 de maio 2010 publiquei aqui no blog o post “Cinema de rua é um charme, bixo”e falei sobre a lei sancionada em janeiro desse ano pelo prefeito Gilberto Kassab, que diz que estão isentas de pagamento de ISS (imposto Sobre Serviços) os cinemas de rua. Isso serviria como um estímulo para que os 10 cinemas de rua, entre os 260 que possuímos na capital continuem existindo. Porém, um dos cinemas de rua mais famosos da cidade pode estar com seus dias contados. O Cine Belas Artes,localizado na esquina das avenidas Consolação e Paulista, existe há 43 anos. A interrupção do patrocínio feito pelo banco HSBC faz com que corremos o risco de ver o Cine Belas Artes fechar as portas. Para chamar a atenção do fato e tentar deixar com que isso não aconteça, vários restaurantes paulistanos se juntaram na campanha “Tudo Pode dar Certo”. A atitude partiu da proprietária do La Casserole, Marie-France Henry, que reuniu 16 restaurantes paulistanos em prol da campanha. Até 5 de setembro, quem colaborar com R$ 5 em um dos restaurantes participantes ganha um ingresso para uma sessão de cinema, de segunda à quinta-feira. O convite é carimbado, que vira um vale sobremesa em qualquer um dos 17 restaurantes participantes.

Confira a lista de estabelecimentos participantes: http://patrocineocinemabelasartes.blogspot.com/




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