Betânia Soares
George Clooney não é só um belo ator que arranca suspiros quando está nas telas. Se tratando de dramaturgia, sua carreira está firmada no sucesso. Depois de começar atuando na TV, George Clooney foi co-fundador da produtora Section Eight, junto com Steven Soderbergh, trabalhando com grandes produções. Como ator, ele concorreu e foi premiado pelo Oscar, Globo de Ouro, MTV Movie Awards e outros. E não é só atuando que Clooney é premiado. Suas experiências como diretor em dois filmes também foram reveladoras. Seu primeiro trabalho nessa função foi em “Confissões de uma mente perigosa” – Confession of a Dagnerous Mind (2002). Mas o filme “Boa noite, boa sorte” – Good night, good luck (2005) – é uma jóia que abrilhantou sua carreira.

Ambientado nos EUA dos anos 1950, “Boa noite, boa sorte” trata do conflito entre mídia e governo com relação ao momento político do pais diante da ameaça comunista. Edward R. Murrow, interpretado por David Strathairn, é âncora da rede de TV americana CBS e, junto com uma equipe de jornalistas e seu produtor Fred Friendly, vivido pelo próprio George Clooney, denuncia ao público a violação dos direitos civis por parte do governo americano na caça aos supostos comunistas nos EUA, como quando uma funcionária pública é levada a júri sem ter conhecimento das provas que a qualificavam como comunista ou seu acusador.
Nessa empreitada, Murrow se posiciona contra o senador Joseph McCarthy, que passa a acusá-lo na TV de filiação ao comunismo e deslealdade ao governo americano. Diante das acusações de abusos feitas por Murrow e sua equipe da CBS, o senador McCarthy é chamado perante o Senado e destituído de seu cargo. Mesmo que Edward Murrow tenha perdido seu programa, que passou a ser exibido em um horário não tão nobre quanto era, e posteriormente demitido, pois a emissora não queria comprar uma briga tão ferrenha contra o governo, ele foi um marco no jornalismo ousado e a serviço da verdade.

Indicado ao Oscar 2006 como melhor filme, melhor roteiro original, melhor direção de arte, melhor fotografia e
melhor ator para David Strathairn, “Boa noite, boa sorte” não é um típico filme comercial de Hollywood. Talvez por isso seja uma oposição à industria cultural vã e vazia que, por diversas vezes, apresenta ao público entretenimento somente, sem conteúdo ou informação. Filmado em preto e branco, a película tem a cara dos filmes feitos no começo do século, com cortes incisivos de cenas e pouca trilha sonora, contextualizando a produção com o momento histórico em que se passam os acontecimentos. Ele também ganhou ares de documentário ao mesclar cenas dos arquivo da CBS do próprio senador Joseph McCarthy e algumas imagens de Edward R. Murrow. Além de David Strathairn e George Clooney, o elenco também conta com Patricia Clarkson, Robert Downey Jr., Jeff Daniels e Frank Langella.

O filme tem grande peso não só por causa das características estéticas adotadas por George Clooney, mas também devido à sua carga histórica, com dialogos intensos e sérios, discutindo a liberdade de expressão, a preservação dos direitos dos cidadãos e o dialogo claro entre governo e povo, passando pela mídia. Tais características fazem do filme de Clooney mais atual do que parece. O mesmo empenho da mídia em denunciar o governo americano da década de 1950 pode ser visto em nossos dias. A produção é uma critica ao governo abusivo de Bush, que abriu fogo contra o Iraque em uma guerra até hoje sem solução, sem que existissem provas claras que justificassem o conflito que criou tensão mundial e, depois de tantos anos, ainda não tem razão para existir. Foi por causa da mídia e através dela que pessoas de todo o mundo puderam ver a guerra começar e suas consequências, como soldados americanos e civis das nações atacadas perderem suas vidas. A mídia hoje, assim como tentava fazer Edward Murrow, dá voz aos que se posicionaram contra o conflito, levando o governo atual de Barack Obama a se movimentar na tentativa, enfim, por fim a uma guerra que se quer deveria ter começado.

George Clooney dirige seu segundo filme, mais um sucesso na carreira, repleto de conteúdo histórico e crítica política
Veja o trailer:
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