Por Yumi Miyake
Uma lei sancionada em janeiro desse ano pelo prefeito Gilberto Kassab diz que estão isentas de pagamento de ISS (Imposto Sobre Serviços) os cinemas de rua. Isso é um estímulo para que os 10 cinemas de rua dentre os 260 que possuímos na capital continuem existindo.
Com o surgimento dos shoppings, os cinemas migraram para dentro deles. O conforto é o maior ponto positivo, pois os shoppings possuem estacionamento e praça de alimentação.
Cinemark é a rede que hoje comanda os cinemas do Brasil e está presente na maioria dos shoppings de São Paulo. Em cartaz, filmes hollywoodianos, acompanhados de muita pipoca e refrigerante nas salas lotadas de gente. Porque então trocar isso por um cinema na região central, pequeno, com um público bem diferente do que você costuma ver -a maioria das vezes- nas salas de cinema do shopping (vulgo pai, mãe e 5 filhos esfomeados por pipoca e sedentos por Coca-Cola)? A resposta é simples: cinema de rua é um charme.
Vou explicar: primeiro (e o principal), os filmes em cartazes são, em sua maioria, do circuito alternativo. Não são MEGA produções, pois as MEGAS produções o público quer assistir em MEGAS salas 3D. E o cinema de rua não oferece isso. Cinema de rua oferece filmes de cineastas mexicanos, alemães, franceses. Americanos também… e etc. (Abaixo trailers dos filmes/documentários que você poderá conferir numa sala de cinema de rua).
Segundo: Cinemas de rua oferecem promoções e programações especiais bem interessantes. O Espaço Unibanco de Cinema (Rua Augusta, 1470) oferece 50% de desconto para correntistas do Unibanco.

Já o HSBC Belas Artes (Rua da Consolação, 2423) possui em sua programação o “noitão”, onde você paga R$ 18,00 (estudantes pagam meia-entrada) e eles disponibilizam 4 filmes (você assiste 3) que começam a partir da meia-noite. Ao final, você ainda toma café da manhã.
Quanto ao CineSesc (Rua Augusta 2075 – Cerqueira César), depois do Festival Melhores Filmes 2010 [post da semana passada] realizado em abril, o cinema mantém a exposição fotográfica 35mm em Relevo, trazendo imagens do cinema brasileiro, como “O beijo da mulher aranha”, “Terra Estrangeira”, “Pixote, a lei do mais fraco” para serem sentidas através do tato.

Cito também os cinemas: Cine Lumière na Rua Joaquim Floriano, 339 – Itaim Bibi, o Cine Bombril no conjunto nacional (Av. Paulista, 2073), o Cine Segall na Rua Berta, 111 – Vila Mariana e a Sala Uol, Rua Fradique Coutinho, 361- Pinheiros, como ótimas opções.
Terceiro: o público frequentador é bem diferente. São pessoas (repito: em sua maioria) realmente interessadas no filme. São membros da classe intelectual da cidade, que respiram cultura. Que assistem ‘ Das Weisse Band’ (A fita branca, que QUASE levou o Oscar de melhor filme estrangeiro) e vão comer e beber no boteco da Rua Augusta. Dão uma passadinha na loja de cds, dvds e vinis (porque ainda compram cds, dvds e vinis) e voltam pra casa de transporte público ou de bike, não por falta de grana ou por não ter um carro na caragem, mas porque carro polui o meio ambiente. Posso estar generalizando, mas é essa a impressão que tenho quando frequento os cinemas da nossa São Paulo. E isso me fez lembrar de um livro de crônicas que eu lia no colegial. A crônica “Bar ruim é lindo, bicho” de Antônio Prata, parece nos mostrar a autenticidade do bar, do cinema… a autenticidade de São Paulo. “Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte dessa coisa Linda que é o Brasil, por isso vamos a bares ruins, que têm mais cara do Brasil que os bares bons…”
E se quiser saber mais sobre a cidade cinza (e colorida ao mesmo tempo) confira o blog dos colegas SÃOoutrosPAULOS.
FILMES/ DOCUMENTÁRIOS que você pode e DEVE assistir num cine de rua:
Utopia e Barbárie, documentário de Silvio Tendler
The US. vs. John Lennon
Mary and Max
Adorei o post, fiquei chateada quando soube que o Gemini fechou, cinema de rua enfrenta sérios problemas para continuar de portas abertas.
Parabéns pelo blog.